Vereadores discutiram medidas para o fim da greve de ônibus
Divinópolis amanheceu nesta segunda (10), com a notícia da paralisação dos motoristas do transporte coletivo, que reivindicam por meio do sindicato o reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Sobre esse contexto, os Vereadores da Câmara Municipal de Divinópolis se reuniram, durante a tarde, no plenarinho da Casa, para interceder junto ao Executivo e o Consórcio TransOeste buscando medidas e soluções, que atendam a categoria e também a população.
O Presidente da Câmara, Israel da Farmácia (Progressistas), participou ainda pela manhã de uma reunião, no Centro Administrativo da Prefeitura, e na sequência convocou os Vereadores para discutir soluções e ações, que possam minimizar os transtornos causados pela greve dos motoristas do transportes coletivo na cidade.
“Divinópolis acordou com essa situação da greve do transporte coletivo, que perante ao artigo 13 da Lei 7.783 de 1989 configura o ato como irregular e ilegal, considerando que o município deve ser comunicado no prazo de até 72 horas de antecedência da paralisação para que a população não fique desguarnecida do serviço”, disse o Presidente da Câmara.
A reunião, no plenarinho da Câmara, contou com a presença maciça dos Vereadores e na oportunidade cada um colocou seu ponto de vista em relação à greve. O Vereador Washington Moreira (Solidariedade) explanou sua indignação pela forma como foi realizada a greve, não sendo feito o comunicado oficial com a devida antecedência. “Acho um desrespeito com a população, que teve que ir a pé para o trabalho hoje ou que pagou Uber com valores altos pra não perder o emprego e ficou prejudicada”.
Já Rodyson do Zé Milton (PV) destacou que o Poder Legislativo não é contra os motoristas, mas também não concorda com a forma como estão sendo conduzidas as negociações em relação ao repasse do Consórcio TranOeste com o reajuste solicitado pela classe.
Edilson Luiz ,representante da empresa Braulino, respondeu aos questionamentos feitos pelos Vereadores explicando que: “o repasse é feito pelo Consórcio, porém o percentual referente ao transporte rural não condiz com os custos dos veículos, que fazem essas linhas rurais. Por isso, o transporte coletivo precisa ser diferenciado da zona rural”.
Em contrapartida o líder de governo, Vereador Ney Burguer (Novo), apresentou as quantias, que a Prefeitura repassou mensal ao Consórcio TransOeste que foi distribuído entre as empresas: Braulino R$120 mil; Vida Tur R$ 60 mil; Transpratur R$ 200 mil e Trancid R$ 3 Milhões. “A quantia foi repassada agora se a distribuição não foi feita adequadamente, isso precisa ser investigado de perto, pois o município fez a parte dele”, reforçou Ney.
O líder do Cidadania na Casa, Josafá Anderson, lembrou que a discussão deve ser sobre o retorno imediato dos ônibus circulando nas ruas de Divinópolis, pois quem está prejudicada é a população, que sai todos os dias de casa para trabalhar.
A implantação do projeto “Tarifa Zero” foi uma das pautas apontadas pela Vereadora Kell Silva (PV), ao afirmar que o subsídio que a cidade paga para o Consócio já daria condições de implantar o projeto na cidade. “Não é viável um trabalhador, que recebe um salário mínimo pagar um vale transporte de R$ 5 pra se deslocar para o trabalho”, frisou.
Quem também endossou a fala da colega de parlamento foi o Vereador Vitor Costa (PT), que questionou sobre os repasses e disse que seria até mesmo o caso de se abrir uma CPI para verificar esses repasses.
“Precisamos focar nos riscos que os cidadãos que não tem condições de ir trabalhar de Uber e qual faltaram ao trabalho hoje e podem até ser demitidos por causa da ausência no serviço”, reforçou Anderson da Academia (Republicanos).
O vereador Flávio Marra (PRD) enfatizou que é contra o aumento da passagem de ônibus, considerando que as empresas já recebem o subsídio da Prefeitura. No mesmo contexto, Walmir Ribeiro (PL) destacou que hoje pelo menos 30% dos veículos deveriam estar rodando para atender a população.
Por fim, os Vereadores Matheus Dias (Avante) e Wellington Well (Progressistas) avaliaram que os motoristas estão sendo usados por meio de manobra política das empresas junto do sindicato. “Sou a favor de abrirmos uma CPI para verificar essas questões dos repasses”, finalizou Well.
O representante da empresa Trancid, Saú Pereira, respondeu aos parlamentares que está desde domingo a noite empenhado convocando os motoristas para trabalharem, porém a maioria aderiu a greve nessa madrugada. “O que posso afirmar é que a empresa em momento aslgum esteve de acordo com essa greve. Porém, infelizmente, os 107 motoristas aderiram a greve até que as negociações sejam atendidas”, finalizou.
Os Vereadores Breno Júnior (Novo), Hilton de Aguiar (AGIR) e Wesley Jarbas (Republicanos) também participaram da reunião. Já o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbanos de Divinópolis (SINTTRODIV), Erivaldo Adami, não compareceu a reunião na Câmara.
PROPOSTA DO SINDICATO
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbanos de Divinópolis (SINTTRODIV), cerca de 300 motoristas aderiram à paralisação e estão em frente à sede do Consórcio TransOeste, responsável pelo serviço de transporte público na cidade.
Até o momento, a categoria exige que seja pago o piso salarial no valor de R$ 4 mil. A proposta, apresentada na última sexta, foi de R$ 2.550 para R$2.805. E um reajuste do ticket de alimentação de R$500 para R$700.
No fim da tarde, o sindicato comunicou aos órgãos de imprensa o fim da greve, ao aceitarem o reajuste de 20% para a classe.